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março 2007

31-03-2007

Vô conta uma estória?, por Nicolas Rouquette

Entra no escritório do Dr. Silva Santos o guri.  Ofegante, arranhado de uma pelada terminada em OXO, nem cansado nem contente.  Carinha de enfado, vira-se para o avô e pede:

--Vô, conta uma estória?

O doutor franze o sobrolho.  Pergunta para seu neto cadê a televisão, a babá eletrônica.  O garoto dá com os ombros:

--Tá passando filme chato, vô.  Já vi.  Só tem morte morrida; não tem nenhuma morte matada.  Não tem graça.

O doutor coça a cabeça.  Grande  verdade.  Morte morrida não tem graça, nem a de um inimigo.  Estória, estória, a inspiração sumiu com a babá eletrônica.  Pergunta:

--Já te contei sobre o boi tatá?  Espera torcendo os dedos, tomara que esta sirva.

--Ih, vô.  Boi tatá, fogo-fátuo, mula-sem-cabeça, saci, caipora, tudo isso o vô já me contou.  Conta uma estória com ação.  E com amor.  Traição.  Estória de gente grande, vai, vô.

--Tá bom, meu filho.  Mas não vale interromper.  se falar quando eu falar não conto mais.

"No começo do século havia um senhor que tinha mágoa de ser pobre.  Queria ser rico a todo custo.  Tinha um amigo que era dono de terras em um lote em São Paulo.  Era a Fazenda do Boqueirão.  Chamava-se assim por causa de um lago aparentemente tranquilo.  Só que o lago tinha um torvelinho inesperado que puxava as pessoas para baixo e muitos morreram assim, no Boqueirão.  O dono mandou cercar o lago.  Vivia feliz com sua esposa e filho.  O nome do filho era Mário.  Viviam bem até o dia da quebra da bolsa de São Paulo.  Vou explicar.  O preço do café, que era de onde vinha a riqueza do pai do Mário foi pra baixo, tão pra baixo que sua fazenda não valia mais nada.  A bolsa troca papéis que correspondem a valores do café, açúcar, laranjas, prata, ouro, assim por diante.

O pai de Mário, desesperado, pediu ajuda ao seu amigo.  Seu amigo estava enriquecendo.  Só que o Paiva não era amigo de ninguém.  Era tudo fingimento.  Deu um tapinha nas costas do pai de Mário, fez-se desconsolado ao saber que a mãe de Mário estava grávida.  Sonso, prometeu pensar no caso.  Ele era a última instância, o último recurso.  O pai de Mário se desesperou.  Foi para o lago, fez uma prece maldita, pois assim é a prece de um suicida, e jogou -se no lago para nunca mais.  Escutou o patrão o Pai João.  Não conseguiu salvá-lo e fez-se de mudinho daquele dia em diante.  O Paiva tornou-se o dono da fazenda, a mãe de Mário uma serviçal.  Seu bebê foi natimorto.  Ela mesma definhou e morreu.

Mário era uma criança revoltada que cresceu para tornar-se um jovem impossível.  Gostava de desafiar o lago.  Tinha descoberto as maneiras do torvelinho e dominado a morte várias vezes.  Era um jovem solitário.  Sabia que a filha do Paiva tinha uma quedinha por ele.  Fazia pouco de Alice, chamava-a e corria, ele fazia muxoxos, era um romance velado de morde e sopra.  Um dia ele a desafiou; disse que ela era banana, que tinha sangue de barata nas veias.  Alice, que tinha de corajosa o que o pai dela tinha de covardia, correu para o lago do Boqueirão.  Mário deixou que fosse.  Deu-se conta do perigo.  Correu atrás de Alice, a qual chorava de ódio  rumo ao Boqueirão.  Foi tudo ao mesmo tempo: Mário viu quando Alice desapareceu sumidouro a dentro, o Paiva chegava no seu manga larga, e o Pai João a tudo assistia atrás da jabitucabeira.

Mário não ia fazer nada.  Lembrava-se de seu pai.  Sentiu um misto de triunfo e vingança.  Subitamente ouviu-se uma voz cavernosa:

--Perdoa!  Perdoa!

Mário pulou n'água.  Alice foi salva.  Em recompensa Paiva pagou pelos estudos de Mário.  Quem sabe o jovem retornaria mais sociável, um marido para sua Alice?

Passaram-se os anos e volta Mário.  Bem vestido, um janota, polido mas frio.  Distante da Alice sua companheira de infância, sempre grata por sua vida.  Mário não disfarça seu desprezo pelo Paiva.  Um dia têm uma conversa de homem para homem.  Mário confessa o porquê de seus sentimentos pelo Paiva.  Aponta para os dedos tortos da mão direita de Paiva.

--Você selou a sorte do meu pai.  Ele não ia se suicidar.  Ele errou o caminho do Boqueirão.  Você viu.  Meu pai conseguiu se erguer de dentro dágua.  Ele se aprumou até.  Você o empurrou com essa mão direita, em vez de socorrê-lo você o desgarrou de seus dedos.  Por isso tua mão é deformada.  Salvação para você só a morte.  Ouvi tudo isso naquela noite mesmo.

Paiva se desesperou.  Saiu ao léu pela fazenda. Os serviçais começaram a procurar pelo patrão.  Ao amanhecer viram Mário com o patrão nos braços.  Não estava morto, apenas desfalecido.  Foi o remorso que o matou  um pouco depois de passar a fazenda de volta para Mário e obter deste a promessa de cuidar bem de Alice.

--Vô, e a voz?

--Você disse que não ia interromper.  Era o Pai João, assim como foi ele quem inventou o suicídio do pai do Mário, para limpar a barra.

--Vô , dava filme, essa história, hein?

--Olha, meu filhinho, deu um livro.  É o Tronco do Ipê, de José de Alencar.  É mais ou menos isso.  Agora é hora do banho e lanche, vai.

30-03-2007

Bom dia para quem é de bom dia, por Nicolas Rouquette

Não sei porquê pago pecados vivendo sob a ditadura da bucha.  Já paguei minhas penas no Brasil, ou assim pensava.  Viajei em classe de negócios por causa do inchaço nos meus pés.  Putz.  A mulher à minha esquerda era republicana, a favor do direito de escolha "que é diferente do ser a favor do aborto." Não entendi.

À minha direita tinha um gordinho parecido com o Jason Alexander, que trabalha em lobby da indústria farmacêutica.  Achava um absurdo a gente puxar o carro no Iraq.

Uma aeromoça esclareceu que esse tipo de gente tá se lixando pra tudo.  É ganhar dinheiro com os republicanos e depois uma aposentadoria nababesca.  Vocês aí no Brasil reclamam

É um pessoal nojento, asqueroso, não vejo a hora da troca da guarda.

Cheguei bem , Linha Vermelha tranqs, no horário de bandido dormir.  Estou no ar condicionado.  Vi dois dos meus primos, foi super-legal.  O restô melhorou de comida embora o serviço continue ruim.  Estou em estado de Nossa Senhora.  Quem quiser me ver que peregrine até aqui que não saio no calor ne por nada.  Sábado às nove vou ver o médico que me salvou ano passado.  Passover começa semana que vem, do dia 2 ao 10 de abril, segundo um calendário na Internet.  Limpei todos os armários, tem que estar tudo limpo.  Dêem uma sacada, se estiverem a fim de mais info.  Passover.

O médico é às nove, nem falei com minha comadre hoje.  Queria contar uma estorinha, fica para amanhã.  Obrigada pelos comentários, com sacadas inteligentes.  Vocês não são bons, são apenas o máximo.

Beijos.Cagarras_42106 Com essa vista, vou sair pra quê?

29-03-2007

The Departed, por Nicolas Rouquette

Vocês me hão de desculpar.  O título dado ao filme do Scorsese em português, "Os Informantes"  só fica a dever a "O filho que era a mãe" do Hitchcock ou o "Quatro Cavaleiros do Apocalipse" sobre os Beatles, o primeiro.  Sim, é verdade que "The Departed" é um tema central do filme, mas é necessário vê-lo para sabê-lo.
Havia em Boston um cara malvado assim que nem o personagem do Jack Nicholson.  Seu irmão era presidente de uma universidade.  O cara sumió, como dizem os porteños.  E por isso corre a boca pequena que o cara, este cara, era informante.

Dos três diretores mais famosos desta geração pré- e baby-boomer, confesso que o Coppola é meu favorito, uma das razões para dar o nome de Francis ao meu filho.  Mais uma vez, perigando levar o troféu "Mala Perpétua do Movimento Blogueiro", gostaria de enfatizar como a religião é importante aqui nos EUA.  Coppola fez um filme que podem chamar de menor, para mim é sensacional, "The Conversation".  Neste, Gene Hackman é um desses contratados para espiar um casal, descobre um complô, mais tarde descobre que foi descoberto, vive uma parana total tenta descobrir o "bug" que observa seus passos e conversas. SPOILER Destrói o apê inteiro até a cena final, onde o "bug" estava dentro da imagem da Nossa Senhora.  Todas as partes do "Poderoso Chefão" estão plenas com a temática da culpa, perdão, Deus-Pai.

Quanto ao George Lucas, ele transferiu suas crenças religiosas para um mundo fantástico.  A força, os Jedi, sacerdotes da força, Darth Vader, o Jedi caído, ih, que isso dá panos pra mangas e muita tese de doutorado se religião fosse modinha.

Pode ser que religião não seja modinha; que é cultura geral essencial, ah é sim, principalmente nos produtos USA.

Scorsese, agora.  Gosto de alguns de seus filmes.  Outros são chocantes demais para o meu gosto.  Não questiono a veracidade do comportamentos dos "Goodfellas" mas dispenso.  Gosto de "Taxi Driver" mas não o veria novamente.  Gosto do "King of Comedy" por mostrar o verdadeiro Jerry Lewis, gosto do tom acridoce de NY NY.  Discordo dos que afirmam que "The Departed" é um filme menor.  Gostei muito do filme, achei que houve muita coesão no tema -- a traição, desde a amante à Igreja, gostei da montagem, não sei que houve diferente, a editora é a mesma de sempre, mas senti um ar moderno nesta.
No final das contas, a redenção dos informantes está na morte, na união com seus mortos, the departed.

Gostaria de me alongar mas o avião me espera.  Mamãe aqui vai chegar e o Gabriel Francis Bulb_3807 também.  Assuntos de família e prazer, como aquela trepada obrigatória com a esposa na sexta.  Pois é.  Beijos e volto breve.

28-03-2007

Lendas -- Conhece o Romário?, por Nicolas Rouquette

Parece, segundo me dizem, parece que o Romário na milésima reinvenção de sua carreira futebolística, aos 87 anos de idade e vigésimo time, vai tentar o gol  # 1.000 contra o coitadinho do atual campeão estadual, o Botafogo.  Se eu pudesse iria ao estádio pra enviar meus fluidos de proteção ao alvinegro da estrela solitária contra o alvinegro da cruz de Malta.

Quando parti, em 1985, o Botafogo era freguês de caderno do Vasco.  Agora sei lá eu; deve ser freguês de tudo que é time do Brasil à Coréia.  A natureza do botafoguense é pessimista.  Quando a gente se anima é fatal.  Dá bosteada, como diria a Lia Drumond.  Há dois anos atrás ou três estava no Rio vendo um jogo que daria a classificação para o Glorioso manter-se no primeiro grupo.  Não assisto mais a nada do Botafogo porque acho que dou má sorte ( nunca devemos usar a palavra az_ _.)  Em dez minutos dava pra ver que o Botafogo tava ruim, mesmo.  Jogava então um carinha em fim de carreira, negro retinto, alto, uma pinta de Didi, o meio-campista pai da folha seca, só que muito negro e com rabichinho no cabelo.

Gritei tanto: --Que bosta! Que merda!  e variantes que fiquei com dor de barriga mesmo.  O cara fez o gol que nos tirou do rebaixameto.  Dia seguinte saí com um jornalista amigo meu, Botafoguense também, pessimista, grosso e chato, dessas pessoas que vai passar pra te pegar em dez minutos e aparece às onze da noite pra jantar.  Fomos à Fiorentina, não posso reclamar, quem pagou foi ele.  No que a gente tá entrando no restaurante, tem um mesão com um montão de muheres de idades diversas e um negro ébano com rabichinho no cabelo.  Era ele mesmo, o salvador da lavoura do Botafogo.  Apresentou a família inteira, as meninas com aquelas camisetas com purpurina escrito Jesus Saves, todo mundo bonito.

Só que no Botafogo não é Jesus quem dá as cartas.  É a superstição.  Isso vem desde os dias memoráveis do presidente do clube Carlito Rocha.  Tínhamos um cachorro, daí chamarem os botafoguenses de cachorrada, e sem o cachorrinho o Botafogo não jogava.  Mal me lembro de todas as estórias de despachos e manias do alvinegro.  O boato de que teriam enterrado um sapo na baliza; bem esse boato desinventaram para que os jogadores fossem pra frente. Alguém "achou" o sapo.

Correu boato sobre o Manga, nosso goleiro em 1966; perdemos a final para o Bangu.  Saldanha saiu correndo com o revólver em riste atrás do Manga.  Manga pulou o muro de General Severiano.

Nestes tempos dava gosto ver o Botafogo jogar, com todo o respeito ao time atual.  Fui a General Severiano dois anos atrás comprar camisa para mim.  Havia um jogador na boutique do Botafogo, César sei lá o quê, teoricamente craque.  Meu Deus, que empáfia.  Ele parou no meio da loja e cruzou os braços.  A vendedora tinha que adivinhar que ele queria ser atendido porque ele era César sei lá das quantas.  Seria terceiro reserva nos áureos tempos do glorioso.  Só que o Seria não joga. 

Zagalo tinha a mania do treze.  Nem acho que seu prédio na Tijuca fosse treze nada.  Era um prédio "moderno" da era das pastilhinhas e espelhos.  Perto do Colégio Batista.  Encontrei uma lista aqui, deveras imponente.

Que devemos fazer no domingo, contra o Vasco?  Deixar que eles, sim, cultivem superstição.  Dizia o Saldanha que se macumba desse certo o campeonato baiano terminava empatado.  Deixem que joguem os jogadores, da melhor forma que saibam.  É o Romário, aquele mesmo, que não vai comer nenhum glorioso, nem no armário nem na baliza.  Atenção ao jogo, gente boa, vamos deixar o Romário enxilicado com nossa paz, calma e quem sabe, de repente é a gente que mete no  Almirante?

Botafogoroom06

Você já foi ao Technorati?, por Nicolas Rouquette

Technorati.com  é uma brincaderia com duas palavras -- técnico e "rati" do coletivo em italiano, literati, por exemplo.  Temos outras palavras que vieram de literati: glitterati, as "pessoas" de Hollywood, celebs em geral, negrorati, know-how do jeitinho e improvisação usado só lá entre eles, é só pra saber como se formam palavras em inglês sem mais nem menos.

O Technorati.com é como se fosse o galpão de todas as escolas de samba do mundo e os blogs fossem escolas de samba. Escola sem galpão não funciona.  Pois é, blog tampouco.  A Technorati.com serve para abrigar o blog e informar as últimas das bloguices.  Por exemplo: quais são as palavras mais buscadas, e palavras mais usadas. Vídeos.  Estas palavras são as que a gente escreve no final de um post como referência do tema do post.  Tem gente que escreve cem tags e outras pessoas escrevem duas ou três.  Elas serão buscadas dentro do Technorati e haverá gente batendo no blog só por causa de um tag.

Por exemplo, quando o Bill Clinton foi a uma entrevista na Fox, que é de direita, havia dois tags de busca:
Bill Clinton e Clinton.  Para a Cicarelli havia Daniela Cicarelli e Cicarelli.  Daí ser bom ir ao Technorati para ver os assuntos do dia e escolher seus tags.

Um link só vale para Technorati se o blog estiver registrado.  Como registramos um blog?  Não é difícil.

A) Você se registra no Technorati.  Na barra superior há da esquerda para direita: Home, que é onde vocie verá os seus blogs, e do lado direito Join, Sign in, Help.  Você que não tem registro ainda, vai para JOIN.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   
at least 4 characters
  at least 6 characters
                                   

First name: Zequinha
Last name: da Silva e Souza
Member name: Seu nick de no mínimo 4 letras/números
Email --seu mail de verdade
Senha:
Senha de novo:
País: Zimbabwe-- é só puxar do cardápio oferecido em "Select one"

Para quem não gosta de ler o Privacy Policy ou o Terms of Use(TOU)  é so clicar para fingir que leu e marcar o V de I agree...

Agora chegamos aos finalmentes:

Cheque o quadradinho: I have a blog and would like to claim it now.  E clique em join ( juntar-se aos membros de Technorati.

Que alívio, é mais fácil que parece!

Agora você vai dizer que é dono/a do seu blog, na próxima tela:

Você vai escrever o URL do seu blog.  Por exemplo, o meu é http://attu.typepad.com/  O outro é
http://attu.typepad.com/anarchic_universe/

Os próximos passos serão menos importantes mas detalhes que ajudam a divulgação do blog.

Eles irão perguntar por tags do blog.  Você coloca até vinte palavras que definem o blog: sexo, humor, contos, resenhas, diarinho, política....

Depois eles vão te dar o código HTML para que as aranhinhas da Technorati possam sacar os posts novos.  Se você é ruim de código, não tem problema.  Escreva para eles:

I don't know how to install code, please install it in my blog for me.

Se você quiser fazer um upload de uma foto sua ou seja lá o que for o avatar, ótimo.  Logo depois de completo o processo vai aparecer à direita de HOME, embaixo, os membros novos de Technorati.  Você pode fazer um screenshot dos seus cinco minutos de fama.

Finalmente, o Technorati vai começar a contar seus links que são registrados com Technorati.  Além disso, cada vez que você termina um post, você clica no símbolo deles e vai cair na sua homepage.  Clique em ping, bem à direita do nome de cada um dos seus blogs.  Às vezes tem que clicar várias vezes até dar o ping.  O ping anuncia para todos os membros de Technorati que você tem post novo.  Não se desespere ao começar na rabeira de links e tal.  Garanto que você subirá.  Valem links de blogs e valem links internos, ou seja eu menciono ou um blog ou o nome do dono em um post.  Conta como link.

Estou pobre no momento porque há trinta blogs que ou não são filiados ao Technorati ou não estão contando por alguma razão.  Link interno acho que estou bem, mais de cem, tá bom.  De pouquinho a pouquinho eu encho o papinho.  Essas coisas contam para poder ter anúncio, mas meu blog jamais será supermercado, e status, valor do blog.  Comecei com zero, depois tive três ou quatro links um tempão.  Muita gente não entende ou entendeu só depois que o Edney ganhou #1 do Brasil que link é importante.  Ele tinha na época mais de 4.000 links.

Finalmente, agora que a aula da dona Tina terminou, passem no Inagaki pra aprender uma receita deliciosa e engraçadíssima de bolinho de chocolate.  É massa.  De quebra uma foto.New_year_tgn

27-03-2007

Mommy se despede, por Nicolas Rouquette

Já fui como todos os jovens.  Rebelde, achava que de tudo sabia mais.  Respeitava minha mãe, admirava sua beleza, força de vontade, energia.  Achava que eu sabia de tudo porque estava a par da revolução ( que revolução?)

Hoje estou com a idade que tinha minha mãe na época da "revolução."  Minha mãe chega ao fim.  Nicolas acompanhou o fim de sua avó.  Ele reconhece os sinais.  Uma certa paz no semblante.  Um sorriso constante que tem um nome do latim que esqueci.  Minha mãe fala certas coisas sem pensar, para livrar-se da pergunta.  Outras ela sabe o quê diz.  Quando não quer alguma coisa diz, como dizia aqui em casa: --Bye, bye!  Diz que a comida foi boa embora não saiba mais o quê foi.  Quando diz não é não. Gosta da casa de convalescência; ela tinha razão, ninguém tem alta desta casa.  Se convalesce é a alma que parte, se alguém acredita nessas coisas.
Zefas_bday_229_oscar_night
Nicolas diz que é como se uma torneirinha se  tivesse aberto no seu cérebro e goteja pouco a pouco, retira a vida mental de Mommy até o fim, quando ela desaprender de vez os rituais da vida.  O social já era.  Minha mãe, que declamava para doutores amigos de seu pai, diz não , sim e bye-bye.
Aniversário de Zefa, 29/2/2004, fim da químio e radiação do cêancer de mama que a atacou em 2003.
Nicolas é forte porque é francês, sua mãe morreu quando ele tinha sete anos, sua vó quando ele tinha quinze, de demência também.  E é engenheiro, já disse pra vocês que engenheiros lidam com emoções de maneira sui generis.

Eu choro.  Há uma enchente de memórias da minha mãe  formando torvelinhos de imagens e frases dela --Honeyzitiquito -- uma palavra inventada de honey e zitiquito, um super-minúsculo que denota carinho.  Ela voltou a usar o honeyzitiquito com Gabriel, seu chou-chou, seu netinho.  Naquele tempo eu trabalhava, ela ia pegar o Gabi na babá, levava-o na biblioteca --os livros sempre seus amigos-- e depois ele ia ver os filmes do tempo do Onça, na casinha dos fundos, a dela, John Wayne e cavalos, brincava com caixinhas plásticas de iogurt, a gente tava pobre, era tudo coisa usada.

É triste ver uma pessoa que foi tão brilhante e hoje é uma casca quase vazia, cada vez mais vazia, até que chegue o fim.  Pelo menos posso dizer que minha mãe teve uma vida boa aqui com a gente.  Não teço loas a mim mesma.  Acho que a gente faz o que pode pelos progenitores. Quê seríamos sem aquele encontro especial de um espermatozóide e um óvulo?

O espermatozóide veio uma cidadezinha gringa; Grécia nos EUA.  O óvulo precisou esperar por uma cirurgia de retirada de um ovário e metade do outro, tratamento clássico para endomitriose.  E assim fez-se esta blogueira com orgulho da profissão, que hoje escreve um post diarinho, perdoem-me, é o post # 304 deste blog.  Estou batendo quase 300 leitores e quase 40 assinaturas.  Acho muito legal, considerando que isso aqui, o Universo Anárquico e o Anarchic Universe, é gosto adquirido.  E vocês que gostam, divulguem o blog, por favor. a-t-t-u.typepad.com/  Só isso.

Meu post sobre "Dirge" do Bob Dylan tá lá na Lágrima.

Este ficou bom mesmo.  Tem um pessoal meio hostil mas tudo bem.  É como se eu escrevesse para a Rolling Stone mas não gostaria de escrever pra RS.

Quem sabe amanhã eu escrevo a parte dois dos Classificados e uma aula sobre Technorati.  Estou com trinta links que não estão contando no Technorati por uma razão ou outra.  Não sou do tipo de blogueiro que nem liga para o que escreve, só pra juntar link.  Não é o caso.  Mas já que tem o nome do meu blog na lista, deve estar no Technorati.

26-03-2007

Quê coisa, sô!, por Nicolas Rouquette

Pensei que iria me internar no Saint John's Hospital hoje, de preferência pedindo a suite imperial da Liz Taylor. É linda, já vi. Parece cenário de filme no período rococó. Meus pés incharam de uma maneira absurda, preciso estar desinchada até o fim da semana, ai, meu Deus, que agonia.

Gabi gostou de teclar e fazer o meu post em inglês, mera tradução mais incrementada ou menos dos Classificados daque do Universo Anárquico. No Anarchic Universe a gente botou a máfia no meio, com o Mario e Luigi, também entrou uma piadinha do lado norte da rua 125, que é no Central Park. Para facilitar, todos os blogs ganharam o filme animado de ontem do SNL, tanto o anarchy across the universe quanto o UA: é uma sátira aos gringos e suas deficiências de aprendizagem de línguas estrangeiras. Nem sabia que o programa deste desenho animado existia, vocês podem ver na Nickleodeon on-line. É a Dora, the Explorer, eu fiquei dizendo Cora, Cora, por causa da Cora Rónai. O filme é muito gozado, sem pé nem cabeça. Gabi me disse que era Disney; enganou-se.

All is well that ends well. Esfriou, meus pés me incomodam menos. Amanhã, sinto muito, vou colocar os pés pra cima. Quando o Gabi ligar o ar vejo o quê faço. Este blog está chegando a trezentos posts. Incrível. A saúde do Universo Anárquico está em flor; a minha apodrece.

Vocês têm sorte. Todas as vezes em que me decido e vou visitar o Interney.net está fechado. Fui ver a Luciana, mas o post era um desses que a gente não sabe o quê comentar. A Giovanna ainda está festejando seu aniversário classic. E aí Fudeus. Só amanhã.

Depois deste post diarinho gostaria que alguém me dissesse se o Romário comeu o Flamengo na frente do Maracanã ou o gol té dentro do armário?

Meu time é campeão estadual, ainda. Vou ver mais uma vez o Departed e depois conto minha análise do filme. Ah! Não percam os classificados aí abaixo. Nicolas aprovou, disse que está bom.

Quem veio visitar aqui usando link do meu último comentário em uma tirinha na Internet, sobre blogueiros? Faz um mês e meio deste comentário. Achei estranho. Meu mail é o de sempre: tinovska@mac.com. Por favor, esclareça a escolha deste comentário.

Beijos para todos.California_poppies

25-03-2007

Classificados, por Nicolas Rouquette

Procura-se:

Somos um museu de reputação.  Queremos contratar exímio pintor, de preferência com talento na pintura moderna.  Deve pintar de acordo com modelos que proveremos.  Não necessita ter ambas as orelhas, em caso o qual será medicado.  Seu trabalho poderá render cem milhões de dólares para nós vinte salários mínimos anuais para você, de acordo com seu talento para imitação a arte.  Procurar por Téo ou Vicente na Rua Que Sobe e Desce, s/no.

Procura-se:

Artista plástico exímio em confecção de arte utilitária.  Fornecemos modelo.  Não, não é mulher desnuda.  Queremos chaveiros, copos, descansos de copos, descansos de pratos e todo tipo de quinquilharia  objeto útil com o tema do modelo.  Não!  O modelo não é mulher desnuda.  Dependendo da quantidade e qualidade da produção, desde que seja compatível com o mercado, o artista pode ganhar até 12 salários mínimos para meio-expediente.
Tratar com Warhola, na festa do Barraco 23, subida do Vidigal.  Pronuncie uár-rola.  Não tem nada de cu de rola nessa estória. Respeite Januário.

Procura-se:

Arquiteto talentoso que saiba construir.  Não precisamos de memória do projeto, nem do projeto.  Precisamos de um prédio despojado, que fique de pé mesmo com chuvaradas, em terreno já pesquisado, onde nada vá desabar, nem o terreno gerar furos como em SP, furo já chega no orçamento.  Prédio hospedará uma filial do Getty Museum, a única no mundo.  Teremos a exibição da pintura mais cara deste planeta, Írises, do Van Gogh.  Não é o Millor, é o legit mesmo.
O arquiteto precisa saber tocar a obra.  Se não souber, tudo bem, a gente conhece uma passista da Imperatriz Leopoldinense que é arquiteta.  Não somos Imperatriz, somos Salgueirenses e botafoguenses.  Seu salário será pago em suaves prestações, quanto maior o número de prestações, mais o senhor ou a senhora ganhará.  Tabela do IAB, fazer o quê?Iris_1_32407
 

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O quê é o Passover?, por Nicolas Rouquette

Brinco muito com uma estória que circula por aí que diz que sou judia. Geralmente vem acompanhada com uma acusação de que tenho 69 anos.  E se tivesse e se fosse judia?  Na verdade, papo sério, minha família brasileira é católica desde a Santa Inquisição portuguesa, os casamentos foram de primos com primas, o estado de Alagoa é pequeno, a família é meio assim como "O Som e a Fúria" do Faulkner, que foi re-traduzido pelo poeta laureado, Paulo Henriques Britto: tudo meio pancada.  Só não temos o  Benji, o primeiro  irmão da saga narrada neste livro tão obscuro que há traduções inventadas. Na Américaa Latina o que há é cristão novo;; esses Oliveiras, Pereiras, Prata, Dourado.  Capelas com candelabros parecidos com a menora, as pessoas não são culturalmente judias mas o foram seus antepassados.  Não entendo preconceito contra negros no Brasil e nem contra judeus.  Preconceito é babaquice.

Católico, protestante ou judeu, o conhecimento da Bíblia é comum aqui na gringolândia, a influência literária da Bíblia incontesti.  Um guri ficou chateadinho comigo por causa disso, quando disse pra ele que para ler  William Blake a pessoa deve conhecer a Bíblia.  "Tiger, Tiger", aparentemente simples, não é sobre um tigre.  É sobre o mal, mesmo de uma criatura bela, criada por Deus; é má pacaramba.

Sempre tinha pensado que Passover era uma forma de Páscoa.  Pra ver que eu também sou ignorante.  Um dia perguntei a uma psicóloga brasileira o quê era o dia feriado para eles.  Ela me disse simplesmente que os judeus tinham marcado suas portas com sangue, o anjo da morte passou essas portas e nas outras casas cingiu as portas com sua asas e todas as crianças do sexo masculino morreram.

Fiquei horrorizada.

Como celebrar a morte dos outros só porquê são idólatras e não fazem parte do povo escolhido, os monógamos?

Depois de um tempo juntei as peças do quebra-cabeças.  Os judeus era escravos no Egito, queriam ir embora, vieram as pragas.  Esta foi a última.  Cruel.  Só que o Passover não é uma celebração.  É um feriado para que as pessoas se lembrem de sua fé em um só Deus, e reflitam nas várias facetas da vida.

Tem uma loja aqui perto, em Westwood, Judaica, onde há tudo que é tipo de arte religiosa.  No Passover usa-se um prato grande, de uns 80 cm de diâmetro, com várias divisões.  Em cada uma delas há sabores diversos que representam a variedade de circunstâncias na vida: ervas amargas, mel, e assim por diante.

Vejo que no Brasil, por haver uma homogenia cultural , mais ou menos, a ignorância e preconceito são muito grandes.  Acho muito escroto.  Embora os judeus de Israel, muitos deles, tenham passado de oprimidos a opressores, são gente como eu ou você.  Minha avó saiu da Rússia fugida dos pogroms.  Se sou judia?  Culturalmente mais que antes, etnicamente 3/4 mas não existe isso de "raça judia" e de formação sou a famosa católica não praticante, com uma diferença: li a Bíblia em português e em inglês aos 16 anos e não esqueci.

Estarei escrevendo um pouquinho sobre  os judeus. É para informar, mesmo.  É a ignorância que forma opiniões estúpidas sobre povos.

Galleria  Judaica--arte; clique por favor.

Ah, o Delta 9 na Lágrima busca votos paara melhores baixistas de todos os tempos.  E eu deixei a Parte 2 de canções de amor e ódio do Dylan. PrestigiemFlowerspalmtree , por favor, pra série continuar.

Diversos são os sabores da vida, diversos somos nós.  Tal como as sementes da granada, somos múltiplos e únicos; pertencemos à mesma fruta. 

É por aí que as festas se baseam.  Veremos.

Até+!

24-03-2007

Álcool e nicotina piores que maconha, por Nicolas Rouquette

Segundo uma revista que o Tecnocientista descolou, o álcool  e a nicotina são mais maléficos que outras drogas.

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