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dezembro 2006

31-12-2006

Ao novo ano gregoriano, 2007, por Nicolas Rouquette

O Alexandre Inagaki conseguiu resumir o ano como o teria feito o BlueBus, só que o BlueBus é notícia e o Alexandre Inagaki é comentário com estilo.

Quem quiser um excelente post sobre 2006, vá lá. Eu quero que o Rio de Janeiro consiga sair desse impasse bandido-polícia-MENTIRosinha. É só isso que peço. Que os cariocas resgatem a cidade deles, que um dia foi minha.

Talvez seja parte da minha psiquê Libelu ( vejam arquivo/política ) achar que se o povo fosse para as ruas em vez de se esconder dentro de suas casas, suas mentes tomadas e sugadas pela Rede Bobo, talvez, minha hipótese, os bandidos recuassem. Tanta gente no Rio não sai de casa ou sai com medo. Rua vazia é mais fácil de assaltar. Bobagem racionalizar atos animais como os crimes contra a população do que foi a cidade mais feliz do Brasil, cartão postal para o mundo. Minha mãe gostava de dizer a todos: -- O Rio de Janeiro e Paris são as cidades mais belas do mundo. As fotos nos links, da TYBA, são muito bonitas. Por favor, preencha "Paris" na lacuna do site, que não está me dando duas buscas, só uma. Sorry.

O acontecimento meu super importante foi a descoberta do mundo dentro do meu computador e não me importa que continuem a difamar a Apple. O computador trouxe o Brasil para dentro do meu escritório, com todas suas variantes. Publicações de direita, de esquerda, lista de partidos trotskistas, imaginem? YouTube, fotos, blogs. E-mail, spam, contos do vigário, ofensas, perdões. Miguxos, intelectuais.

Aliás, acho que os pais não se tocam que --Ah, meu filho é quieto, passa o dia inteiro no computador -- Esse filho ou filha pode estar armando mil. O computador é um mundo.

2006 me ensinou a reburilar meu lado social, pelo menos um pouco de diplomacia não faz mal a Tina Harris ( somos milhares de Tina Harris ) e ter tato impede golpes de pontas de facas nos meus dedos. Luz e clareza não fazem mal a ninguém. Clareza aqui é complicado.

Descobri que a matéria sobre a flexibilidade mental juvenil mantida no adulto ser fonte de ... juventude, de acordo com cientistas, veio do Los Angeles Times via Chicago Tribune, o jornal seu chefe. Pelo menos uma coisa estou fazendo certo. Viva o rock and roll do Green Day. Viva ter green days. Não é mais crime no Brasil. E a imaginação do Bob Dylan; seu recado: vamos ripar que as gravadoras já tem muito dinheiro.

Redescobri o mundo dos quadrinhos com a R.A. Será que as pessoas da minha faixa etária não percebem a riqueza do mundo de blogs? Assim como não suporto proselitismo, não tento convencer meus amigos que blog é bom.

Escrever é bom, ler é bom, ver a variedade blogueira por aí é magnífico: como é prodigiosa a criatividade humana, seja para blogs literários, seja para paginação, seja para blogs besteirol. No mundo dos blogs, dos autores visíveis por suas idéias e caixas de comentários, a idade é irrelevante. Aparência? Que aparência? Qual democracia mais intensa pode haver? E ter leitores? Comentários?

Espero que 2007 seja um ano de muita produção, com ou sem mon cou doendo. E desejo o mesmo aos meus conhecidos e amigos e camaradas blogueiros. A todos. Democracia: of the people, by the people, for the people. Todas as pessoas.

Que o show da Rita Lee arrebente hoje em São Paulo, no seu aniversário de 59 anos.

Deixemos as querelas de lado, que tal ? Vamos curtir o Green Day, The Strokes, e por falar em green, o Chico Buarque. Rio de Janeiro, temos que resolver o problema do banditismo e dos ingressos impossíveis de comprar para ver nosso ilustre Carioca.

E que os meus Mutantes do final dos anos 60 façam muito sucesso por aí em 2007. A volta dos Mutantes foi um dos eventos mais emocionantes de 2007. Show dia 25 de janeiro, niver de São Paulo, grátis. Tenho que agradecer a Lágrima Psicodélica pelo alerta.
Não deixem de checar os sites deles e de Rita Lee aí ao lado.

É impossível acompanhar a realidade de dois países concomitantemente. Saudade sem banzo. Por fora das gírias. Desencanei? Esse lance de rola? E o tal do bambu que está por aí ? Tento mas não consegui acompanhar "Páginas da Vida." É bonito o panorama mas não posso; ranço meu. Tenho muita fé em um ano melhor para todos nós.

Que os jovens nas forças armadas lá no Iraque possam regressar em breve. Que nós, os EUA, reconstruamos o Iraque e New Orleans. Que as eleições cheguem cedo sem nenhum candidato alternativo poseur esquerdóide; thanks Nader, Sean Penn, Susan Sarandon, Tim Robbins e tantos outros que deram a presidência para o Idiota.

Que quem quiser me ajudar a pesquisar uma maneira de baixar as tarifas dos objetos eletrônicos me mande um mail.

Que a diferença de renda entre os mais pobres e os mais ricos não fique no poço das três mais profundas. Isso e entrada de serviço têm que acabar.

Um gaúcho de Santo *** me partiu o coração. Criança a gente perdoa. Vários outros gaúchos me alegram com seus blogs. Brizola deve estar abafando no céu, com sua retórica. E sotaque, que foi o oficial do rádio na era do Getúlio. Será, Nelson Rodrigues, que toda mulher deve amar um rapaz de dezessete anos?

Este ano voltarei a andar. Saudações a todos, alvinegros ou não. A estrela solitária brilhará mas deixará que outros times tenham chance, gostou, Ivan? Ah, e aprenderei a raquear, sem dúvida. Casa de ferreiro, espeto de pau. Nicolas está ocupado demais, às voltas com o espaço. Disse preu pagar uma pessoa. Não quero. Quem toca no meu blog sou eu. Ou ele.

Orkut? É legal receber recadinho da família e de conhecidos de Internet, amigos e tal. Tenho certeza de que Google vai incrementar o site para fazê-lo mais atraente. Mais parecido com MySpace.

Natipunk agora escreve em caderno, seu discurso de formatura foi sensacional. Espero estar viva ainda quando ela for autoridade no ramo que escolher.

Hoje me emocionei às lágrimas ao descobrir que minha grande professora de descritiva vai muito bem, graças a Deus. A prima da minha mãe Sônia Oiticica também está bem, hambdul'Allah. Duas mulheres de talento, bonitas e que envelhecem bem.

Vamos no pensamento positivo, galera. Pessimismo não ajuda. Sejamos realistas quanto ao meio-ambiente, quanto à necessidade de participação política do cidadão nas decisões do(s) país. (países) Não vou rezar mas farei umas preces pelo Brasil, pelos EUA e pelo mundo. Multi-espirituais, tentando cercar o bicho.

A 2007, a cada dia, hora, minuto, segundo.

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Gabi


29-12-2006

Natal no SdeE, Boas Festas, por Nicolas Rouquette

Já tem é tempo que participava em "amigo oculto" ou "Secret Santa". Este ano me juntei aos freqüentadores da pracinha da Denise Arcoverde, cujo blog, "Síndrome de Estocolmo" parece funcionar como uma pracinha para as comadres trocarem idéias umas com as outras, ouvirem música, darem uma espiada em vídeos e para que se mantenham atualizadas em um monte de assuntos vitais, de anorexia a fibromialgia, culturas diversas, homens gatos, aquilo é mais que uma pracinha; é um mundo. É mais que um blog, é um mega-blog.

Embora meu pré-conceito com mulheres seja notório, sinto-me bem na SdeE. Recebi uma amiga para quem dei um ornamento de Natal mais um poeminha besta que me veio à cabeça na hora:

Da neve a minúscula partícula
nenhuma igual a outra; cristais
Assim somos, os seres humanos
Diversos, à imagem do Criador.

Ela é carioca. O ornamento foi um cristal de floco de neve.

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Fiquei meio confusa sobre quem era quem, se a pessoa para quem dei presente era a mesma que me daria o meu presente. Pedi quinquilharia, tipo espelhinho de índio, mais 700 leitores diários para o meu Universo Anárquico.

Quinquilharias para minha cristaleira
Quinquilharia foi um pedido sério mesmo porque gosto de bobagens. Até cristaleira tenho, com algumas coisas finas e outras bem bobas, tipo marionete com chocalho que vendem na Avenida Atlântica, o arroz do meu casamento dentro de uma jarra, com os bonequinhos do bolo, velinhas de aniversário... Não confundir com apagar as velhinhas.

Das coisas finas o meu ai-jesus são minhas chícaras de cerâmica azul cujos pratos têm formato de poinsettia, pra dar sorte. Minha bonequinha de madeira de Kyoto, minha bonequinha de papel de Tóquio. Um ex-aluno me deu os presentes. Takashi Isshiki deve ser alto funcionário da TV japonesa agora. Sempre teve muito talento. Pensar que o conheci aos 18 anos (dele.)

Na seção kitsch tem um imbatível presépio feito com velas cobertas com vestuários de José, Maria, Reis Magos, Pastores, uma vaca, um burro, o bebê em berco esplêndido. É francês, feito por freiras. Poupar-vos-ei de uma piada na ponta da língua.

Cadê a amiga oculta?

Minha amiga oculta apareceu de repente, assim como a caixa enviada de Rondônia, onde ela é veterinária. Que abnegação. Brasileiro tem classe e o système J ( jeitinho .) O presente dela foi estudado, depois de leitura de horas no meu blog, correspondendo assim a vários leitores que passam o "zero" minutos nessa anarquia. Cada presentinho foi embrulhado por ela em papéis decorados por ela mesma. O cartão também foi feito por ela. E seu blog é o Missisclof

Querem ver meus presentinhos ? Estou usando minha bóia de pescoço. Volto ao médico dia 4 de janeiro, aniversário da minha sobrinha, levada da breca, grande ginasta e nadadora.

Ganhei um colar de sementinhas, um de contas de papier maché pintadas a mão, de boutique, até no mato tem essas coisas e um livro para ler ao som de músicas. Ganhei tudo isso da Flávia. Mais uma vez a Blance DuBois acerta na mosca: --Sempre dependi da bondade de desconhecidos.

Vamos ver os presentinhos que Flávia me mandou do mato?
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Dicas (des)animadas, talvez?
Para quem gosta de antigüidades, além do meu marido, é claro, o You Tube está cada vez mais cheio de vídeos de filmes, de entrevistas, está virando um cemitério animado virtual.

•Pois há uma estrevista que o Marlon Brando deu para a Connie Chang em quatro partes no Anarchy Across the Universe. Há um pedacinho do "On the Waterfront" de onde saiu a fala "I could'a been a contender, I could'a been somebody" e um pedacinho do "Bonde Chamado Desejo" em que o Stanley Kowalsky derruba a louça da mesa pro chão indignado com os pejorativos "polaco" e tudo mais.

•Para quem gosta de novidades, recomendo a música desencavada pelo Alexandre Inagaki, até Nicolas curtiu; ele, como francês que se preze, tudo critica.
• Os vídeos que Eudes colocou no YouTube, quem sabe uma nova carreira para o mocinho?
•E o post sobre o último modelo de Barbie no "Uma dama não comenta".

Agora posso ser uma hippie chique, como apelidei a turma da FAU 1973, que usava a moda mas era toda da Zona Sul carioca. Sempre curti colares de contas, faltam as pérolas, ainda ; p )

•Só para que não me chamem de suína por minha falta de maneiras gringa. Quero agradecer a todos os blogueiros que me prestigiaram, ajudaram, acolheram, encheram minha bola ou me corrigiram para que aprenda a ser mais profissional. Todos os conselhos, sempre certos mas eu sou teimosa, as chances, tudo, meus leitores, vocês todos são demais; não sabem como são tr00 (Chico me mata nessa) e o quanto representam para mim.
Boas Festas e excelentes entradas! Cortesia da TYBA

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26-12-2006

Réveillon paulistano? É pra já!, por Nicolas Rouquette

Show - Réveillon na Paulista com Rita Lee
Data: 31/12/2006
Horário: 20h30
Preço: Gratuito
O palco para o Réveillon será instalado entre as Ruas Ministro Rocha Azevedo e Frei Caneca.

É aniversário da Rita dia 31/12. Aliás li ontem no Los Angeles Times, talvez, talvez na TIME, que as pessoas mais velhas que seguem com os tempos em vez de fossilizar têm melhor chance de poder cognitivo sadio ao envelhecer. Será que isso quer dizer viva os Killers e Fall Out Boy, sem mencionar o Andy Samberg, Natalie Portman ... Quentin Tarantino vale?

Na essência da palavra mutante está o conceito de mudança; logo, Rita deve estar com seus dezesseis anos de sempre... Aproveitem. O show.

Cuidado com o canivetinho suíço, por Nicolas Rouquette

É triste admitir que o vetusto Estadão ainda é a fonte de notícias em papel mais fidedigna do Brasil. Hoje acabo de ler matéria que interessa a todos nós sobre o direito e a Net no Brasil. Leitura indispensável, com direito a comentário. Direito internáutico, dica de um Alerta Google-Orkut, vamos lá.
Quem ler entenderá a referência ao canivete suíço. Se o ponto de vista dos juristas não está valendo, comentários para a redação.

Rima: quando levei pau na FAU, por Nicolas Rouquette

Carreira estudantil estelar, com alguns momentos de buraco negro. Duas segundas épocas em matemática no ginásio; não suportava a dona Angelina, que de anjo nada tinha. Sua voz estridente era o fim, sua incompetência de jovem professorinha era a morte. Eu ora bocejava ora matava aula no parque do Instituto de Educação.

No Santa Pústula não tive problemas acadêmicos; só problemas comportamentais. As meninas ricas me odiavam e a função era biunívoca, bitransitiva e falta um bi mas faz tempo. Outro problema comportamental mais sério foi quando fiz dezoito anos. Isso queria dizer independência. Leila Diniz deu sua famosíssima entrevista com os ^%$#@8 no Pasquim, eu aboli meus sutiãs, que não faziam diferença para meus seios minúsculos, e adotei os palavrões da mulher mais linda e liberada de 1970.

Pausa. FAU-UFRJ. Havia uma galera mais nova que eu, curtindo T.Rex, Pink Floyd, eu tinha estacionado no Jimi Hendrix. Havia uma galera da "Atlética". A "Atlética" era o pastiche do diretório acadêmico; não entendia qual era de não abrir o diretório. Era 1973, entrávamos na era da "distensão lenta e gradual porém segura." O PCB, como sempre, esperava pelos 50% +1 da massa estudantil para agir.

Não tinha paciência, ah! a juventude! entrei em duas confusões. Uma quase no semestre de me formar, com o arquiteto que construiu aquele elefante falido na entrada do Túnel Novo de Copacabana. O cara teve a petulância de mostrar um estudo sueco em que seu monstrengo de 50 andares não afetaria o trânsito. Minha equipe conhecia bem a Lauro Muller, uma rua despretenciosa atrás da rua do trânsito, onde moravam cariocas de classe média em quatro ou cinco prédios. Nossa proposta, com a qual o pretencioso professor de cabeleira pompadour concordou, era de extender o conceito de habitação para classe média e prover serviços para a comunidade. Nada de espigão, mesmo considerando que a Igreja Santa Teresinha, ao lado do túnel, fosse feia à beça.

Fizemos um projeto completo, com cálculo do concreto, elétrico, tudo como se fosse para construir. Havia três pranchetas no meu quarto de trabalho. Não vou dizer que pranchetei no projeto em si. Escrevi a memória do projeto, uma pintura de papo furado em terminologia de arquiteto e poeta. Provi a infra.

Quase levamos pau. O chefão Luiz Paulo Conde nos safou dessa. Ele sempre levou pinta de barão: um homem amplo, de barbicha, tipo ho-ho-ho mesmo.

No ano seguinte, que teria sido o último, tínhamos a disciplina de planejamento urbano e regional, com um dinossauro e uma senhorita feia, solteirona ( não haveria homem que desse jeito nela) e não muito versada na matéria. Nós, da Libelu, assinávamos o ponto e íamos agitar. Tanto o dinossauro quanto a bruxa eram de extrema direita. ( Coro grego: Ah! Juventude! Displicência...)

Nós passamos para o mestrado de planejamento urbano na COPPE-UFRJ. A professora levou pau na prova de mestrado. O PUR-COPPE era um antro naquela época. Fiz um semestre e puxei o carro. Arquitetura é um curso bom para dar verniz cultural. Trabalhar, nem no escritório do Bill na rua 125, no Harlem. Não dá pedal. Não pra mim.

Nós levamos pau na matéria na FAU. Não nos formamos. Eu perdi meu emprego de estagiária porque não dei uma de Monica Lewinski C.D.F. no trabalho tampouco.

Fui dar aulas de inglês porque sabia inglês e precisava de dinheiro. A arquitetura virou lembrança, alguns amigos ainda fazem parte da minha vida brasileira, há lembranças engraçada, conto outro dia.

Foi dando aula que encontrei minha praia. A recordação de sala de aula mais sacal é pedidos da letra do "Stairway to Heaven" do Led Zep e o quê quer dizer. Acho que não quer dizer nada demais, cada um ache sua interpretação, é como o "Hotel California" dos Eagles.

Ontem foi um dia dedicado aos resfriados que nos assolam, James Brown, tenho um post no Anarchic Universe, visitar Mommy, que estava atacada, e eu a curtir várias vezes durante o dia o Pensar Enlouquece, do Alexandre Inagaki. O post é bom pacaramba, cheio de música, e lá no blog está um presente de Natal de responsa para mim.

Logo mais tenho que arrumar de ir ao médico ortopedista. Não dá pra continuar assim. Continuem celebrando as festas aí no Brasil, aqui tá um frio de rachar.

Se é cafona, tá, sou cafona.Sou kitsch. Sou camp. Udigrudi. Curto muito essa arte rococó de que gostam os americanos. Um povo que inventou o jazz e a democracia não pode ser tão mau assim -- Luiz Gustavo de Sá do Manual dos Inertes nos comentários.
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22-12-2006

Vou entrar de férias...Not!, por Nicolas Rouquette

Pois é, esse tratamento de bóia ao redor do pescoço e relaxante muscular parecia que ia dar um alô mas agora parece que não estou legal. E por isso, e por falta absoluta de bem estar físico, sumi dos comentários de quase todos os blogs. É que sentar com o pescoço posicionado para leitura na tela do PowerBook G4 está me doendo.

Gabi ganhou o dinheiro para comprar a árvore. É sua paixão natalina. A outra paixão é a outra na minha vida, sua miguxa vietnamita.

Meu Natal acabou quando conheci a família da minha mãe aos cinco anos de idade. Eles não bebiam exceto nas festas. Aí era um horror. Os poucos homens, milicos, as muitas mulheres assistiam às trocas de insultos, todos censura livre, um tio no alto da escadaria gritando:

--Vem! Vem se você é homem. Salafrário! Pulha, canalha!

O outro tio fazia que ia puxar a arma e mandava:

--Canalha é você! Vigarista, pensa que não sei?

E o que ele sabia a gente nunca soube porque por milagre ou intervenção do meu avô, a briga terminava. Mais tarde, no pé da escada sentada minha tia Olguinha, tão bonita, condenada à morte de ca. de seio aos 36 anos. Era o segredo mais roto da família; tia Olguinha não era muito esperta, nunca soube. Tumor de câncer no seio não dá para ver. Tio Cajuza a reprovou em português no Pedro II, imaginem.

Natal no Brasil tinha os bate-bocas dos Oiticicas, não tinha neve e eu tive pereba por causa de alergias alimentares: porco e banha de côco. Natal aqui tem minha família americana, muito chã. Papo aqui é liquidação e as últimas da TV. Perdi o saco com a humanidade, pronto, deve ser isso. Perdoem-me.

Mas pra ninguém perder a viagem aqui vão uns presentinhos. Um para as mulheres, em português e em inglês, mas o presente é bastante óbvio e, rapazes, é fácil de fazê-lo. Um para os homens, em inglês

Outro, finalmente do poeta baiano mais criativo desde Castro Alves. Disseram que seu show no Circo Voador, esta semana ( ai, meus tempos ) foi estraçalhante de bom. Primeiro, ele tocou e cantou as músicas do auge de sua carreira, uns 25 anos de auge; segundo, havia quatro gerações presentes no Circo Voador: crianças, miguxos e mais velhos que miguxos, minha geração e a geração mais velha que a minha. Ele tem a voz mais afinada da MPB, linda, suas músicas são achados. Fiquei muito feliz porque sei pelas "pessoas" que ele teve uma fase meio ruim quando estava com a perua. Mas agora tá legal. O poeta baiano é para todos.

Não percam a oportunidade caso eu não tenha atualizado nos próximos dias para ler outros posts nos arquivos. Paz. Vocês são todos massa, muito, falam mal de blogueiros que vivem para blogar, oh, well, escrever é minha raison d'être e escrever sem leitor é masturbação.

Obrigada por me ajudarem a não ter pelos nas palmas das mãos, crendice popular aqui re. auto-prazer.

Todos esperando o Papai Noel em Sugar Hill, Harlem, NYC
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21-12-2006

Por um 2007 melhor, por Nicolas Rouquette

O post aí em baixo e outros de ficção trariam mais satisfação intelectual talvez para vocês, leitores. Tenho que abordar um assunto que me incomoda ao ponto em que sinto a compulsão de expô-lo aqui no Universo Anárquico. Trata-se da minha nacionalidade, um tabu, um stigma ainda mais intenso que a desordem bipolar.

Minha mãe é Leite e Oiticica, meu pai era filho de imigrantes via Ellis Island, minha avó russa, meu avô grego. Fui criada monolíngüe, em inglês, até os cinco anos. Até na internacional NYC há bandeiras dos EUA por todos os lados. A árvore de Natal mais bonita é a do Rockefeller Center. Em suma, cheguei no Brasil em 1957 americana.

A perseguição de coleguinhas e professoras não me ajudou. A integração foi difícil. Aprendi português na volada porque já o tinha; conhecimento receptivo, de ouvir minha mãe falando com seus irmãos que passaram tempo conosco em NYC. E a família tem aptidão para línguas.

Na formatura da quinta série o primeiro lugar deveria estar no pelotão ao lado da bandeira do Brasil. Eu tive 592 pontos de 600 possíveis. Por coincidência, outra aluna também teve os 592 pontos. A mãe desta aluna vivia na escola, seu uniforme era impecável, seu cabelo com aquele coque cheio de bombril, fita... A professora justificou que eu era americana e não podia me perfilar em frente da escola. Formei com todos os demais.

Não sei se durante minha vida no Brasil eu era esquisita por ser esquisita, ou por ser bicultural, o que sei é que quem mora no Brasil tem dificuldade de entender como nós, os cidadãos que não votamos no Reagan, nem no HW Bush, nem no W nos sentimos, como repercutem as notícias aqui dentro sobre a situação doméstica e a internacional.

Quando aconteceu o atentado na cidade onde nasci e curti a "árvore de Natal mais linda do mundo" entrei em estado de choque por overdose de notícias, um hábito que consegui cortar. Ler sobre dedos anulares com alianças, imersos na fuligem, gravações de vozes de bombeiros, imagens de pessoas se jogando das torres. Foi muito barra pesada.

Tão triste quanto a tragédia foi a enxurrada de mail vinda dos meus amigos politicamente corretos. A numerologia que provava a capacidade bélica dos EUA, o número de mortos aqui e acolá, e sempre o povo americano sendo responsabilizado por tudo isso.

Essa foi a minha grande fossa em 2001. Não foi revolta contra os terroristas, decepção pela queda das torres tão poderosas do país mais poderoso do mundo. Foi o ataque frontal a mim, amiga de todas essas pessoas, eu, que comprei tantos discos importados no mercado americano, chiclete Wrigley's e calças Lee® para todos.

Quando vivi no Brasil lutei pelo que acreditei ser justo: a fundação de um partido dos trabalhadores. Jamais abri minha boca para tripudiar a sina do "gigante adormecido." Com outros companheiros, arrisquei minha segurança, meu relacionamento de quase dez anos acabou por exageros políticos. Regressei ao meu país com bolsa para mestrado em lingüística, estou aqui há 21 anos.

Por essas e outras, por viver em permanente estado deprimido, vigiando onde estou na bocarra do dragão, vendo passar oportunidades ímpares para mudança de direção do governo daqui e conseqüentemente dos destinos do mundo, fazendo o que posso aqui, que é pouco, fico muito injuriada quando leio blogs por aí e comentários pulando no pescoço do povo americano.

Imperialista é a China Popular, galera. Nós devemos quatro trilhões de dólares. Nosso seguro saúde tá indo pras picas. Férias? Cinco dias. Vamos ter que reconstruir um país que a administração atual destruiu. Nós, o povo americano, ora quem mais vai fazê-lo.

Ofereci aqui neste blog a possibilidade de formar um grupo para lutar contra as tarifas dos objetos eletrônicos de maneira que iPods possam ser acessíveis e brasileiros não precisem de computadores Frankenstein.

Pois é. Thanks, but no thanks, podem crer que aqui na Gringolândia estamos cientes dos nossos problemas e mais cientes dos problemas mundiais que antes, na época da Redentora, por exemplo. Nós vamos à luta, podem crer.

Só que os problemas do Brasil têm que ser atacados pelos brasileiros cientes da necessidade de soluções: disparidade de renda, fome, seca na Amazônia, queimadas, preços dos objetos eletrônicos, geração de empregos... E se o partido dos trabalhadores já deu o que tinha que dar, há que criar outro partido.

É muito trabalho sim, nos dois países. Lembrem-se de que a revolução é internacional e permanente. Este achado do Lev Davidovich é massa.

À luta, ratazanas! Brasileiros atacam seus problemas enquanto nós atacamos os nossos. Que tal? Sem recriminações.

Para não dizer que não há humor aqui, graças ao Blue Bus temos um Papai Noel visitando uma Sex Shop, êpa!

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19-12-2006

A Impiedosa , por Nicolas Rouquette

A mãe e a morte
A mãe vigiava zelosa seu filho, que ardia em febre. Passava-lhe panos úmidos para que diminuísse a febre, para que estivesse mais confortável. Noite a dentro, o jovem gemia e falava frases entrecortadas e incoerentes.

A mãe, seu coração soluçando, seguia o tratamento mandado pelo médico enquanto rolavam em seus dedos as contas esféricas de madeira a marcar suas preces ao Criador.

Com a alvorada, em um instante em que a mãe dormitou, entrou pela janela a Impiedosa. Acordou de sopetão a mãe, aos uivos desconsolados da loba que perde seu filhote. Saiu correndo atrás da Morte, descalça nas trilhas de neve, pedindo por seu filho até perder de vista Aquela que lhe roubou seu tesouro mais precioso e seu tesouro, envolto nos braços d'Aquela que decide quando não seremos mais.

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Continuou sua busca esta mãe desconsolada quando se deparou com um mato cheio de espinhos, de mais ou menos um metro de altura, com flores pequenas e vermelhas. Era o que chamamos no Brasil de coroa de Cristo. Era intransponível. De repente ouviu uma voz:

--Sei o que queres e te ajudo. Tens algo que me agrada. Dá-me teus cabelos e te deixo passar. -- Era o mato de espinhos.

A mãe nem pensou duas vezes e deu-lhe seus cabelos longos e negros como o azeviche. O mato abriu uma brecha e lhe cedeu passagem.

O frio agora cortava como navalha seu crâneo despido de pelos. Os cabelos longos haviam servido de abrigo para suas costas também. Seu desespero determinado a fazia prosseguir. Chegou a um lago. Como atravessá-lo?

--Você tem algo que me interessa muito. Seus olhos. Dê-me seus olhos e você chega na minha outra margem. Os que procuras estão lá.

A mulher não media sacrifícios para trazer de volta dos braços da Morte seu tesouro, seu filho único, ainda adolescente, seu futuro. Sua luz.


Chegou na outra margem com as pálpebras vazias, tateando, indo atrás de sua caça pelo faro. Parou um instante, depois de muitas léguas, para tomar água em um poço. Pressentiu que não estava só. A Morte dirigiu-lhe a palavra:

--Parabéns, vejo que é valente. Que quer?-- Sua voz cortava como navalha.

--Quero meu filho. Meu filho. Devolve meu filho, por favor. Ele mal viveu, tem um futuro pela frente. Me dá meu filho. Por caridade.-- A pobre mulher estava se arrastando de joelhos perante Aquela que é Inexorável.

--Você diz que quer seu filho. Antes que o dê para ti, vou te emprestar teus olhos. Poderás ver no fundo deste poço o futuro do teu filho. Aí decides que queres. Verás qual é mais sábia: a mãe mortal ou eu, que não tenho princípio nem fim. Toma teus olhos. Eu era o lago.

A mãe olhou para o fundo do poço. Viu seu jovem filho crescendo, forte, depois metido com outros jovens de má índole. Roubava e matava. Fazia mal às mocinhas da região. Horror tomou conta da mãe. Não quis mais nada ver. Gritou do fundo do seu ser sacrificado:

--Leve-o, leve-o! Quê pode o coração de mãe com os desígnios do Criador?

Encontraram a mulher no dia seguinte, morta, abraçada ao seu filho, morto também, envolto nos negros e longos cabelos da sua mãe.

Adaptado de memória de um conto do Hans Christian Andersen

18-12-2006

Máximas mínimas na aldeia global, por Nicolas Rouquette

•Devagar com o andor, que o santo é de barro. Cadê o andor, cadê a procissão, cadê o santo?

• Antigamente, razões para ir ao sul eram modinha, Gramado, chocolate, fondue, churrasco... Hoje o sul é que vem até aqui. Culpem a Xuxa ou a Gisele ou o futebol. Tenho medo do dia em que meu alvinegro terá azul celeste ente suas listas. No ínterim, viva Elis e o Internacional.

• Já conseguimos foder com as praias desertas da Bahia, não é não? Meu filho me disse que as praias de Maceió estão cheias de cocô por falta de esgoto. Será que no Ceará há praias limpas?

• Evo Morales falou mas aconteceu ou não? Conseguiu nacionalizar o gás? Queria um suéter igualzinho ao dele só para me reafirmar nesta casa.

• A questão não é de fazer ouvidos de mercador ou ouvidos mocos. A chave do século é a arte da negociação, pechincha, toma lá-dá cá. Em persa, rále tchatura, tarrfif, gerón, merci e rold ófis -- como vai, desconto, caro, obrigada e tchau.

• Aprenda as conjugações do árabe básico: Hambdul'Allah, Insh'Allah, Mash'Allah, Salam, Salam Aleikum. Respectivamente, Com a graça de Deus, Tomara ( Oxalá ) Queira Deus, Ah, que pena que Deus não quis, Olá, olá.

• Um homem de capa, suspeito. Dê uns petelecos em qualquer um de seus queixos. É convite para drinque em russo. Se realmente for um daqueles agentes, diga: Iá ni znáiu, ia ni panimáiu, otchem rarachó. Não sei, não entendo, muito bem/bom. Pelo menos vocês tomam um porre juntos.

• Tenho recebido tanto mail do Acre sobre os indígenas e suas línguas que deveríamos promover turismo ao Acre para essas almas perdidas em busca do paraíso naturalista. Acre: menos sílabas que África, a uns passinhos do Rio.

• Opção para roubo de comunidades na orkut : todas as comus serão fake. As verdadeiras estarão protegidas por uma senha multilíngüe que só os donos conhecerão. Antes de entrar o membro da comu deve passar mail e esperar -- abre-te Sésamo!

• Se não der certo, tenho minhas conexões mundiais para tormentar esses pseudo-ráqueres, palavras do meu marido, cientista de computadores para projetos da NASA. Eles ficam trancadinhos em um quartinho na Índia fazendo telemarketing para AOL, ou trabalhando na Coréia do Sul, Taiwan, China, montando computadores por 33 centavos do dólar ao dia. Você que quer "ajudar a resolver um problema no orkut" passe um mail para eles, para Google, mail para o Barrozo, luiz.barrozo@gmail.com ou fax ou telefonema. Almas caridosas assim, vão ajudar seus compatriotas sofrendo neste vasto país.

• Um argentino tinha descoberto a solução para a vaidade dos hollywoodianos mas não deu certo, silicone para carros injetado nas rugas da nobreza. Deu muito problema. Por mais que um marido se queiixe de estar casado com um calhambeque, é um ser humano a mullher. Umas com buracos nos rostos, outras com calombos, o argentino com 18 meses de cadeia com direito a calombo no buraco.

• Nem vem que não tem que só você é que trabalha não me seja boquirroto despejando bile sobre todos os outros brasileiros, uns que são preguiçosos, outros que vivem no bem-bom, outros que são uma inconveniência no sul maravilha. Despeça as empregadas e chauffeurs; ponha sua prole para trabalhar. Quero ver até quando você será cacique nesse terreiro.

• Danem-se os indies de vozes pequenas. Quero o Jim Morrison cantando "The End"; o David Bowie não precisa cantar nada; finalmente descoberto em uma observação do iTunes, Billy Idol, "White Wedding" --os três maiores barítonos do rock weirded out. Exceção: The Jam explícito, cujas filosofadas não valem nada mas e daí? E o Violent Femmes, que reafirma minha perene adolescência ( mas eu não roubo comunidade de ninguém )

• Finalmente, viva Jamille Jamal! Será que já posso dizer Viva a Nova Internet® ?


Um quack é gíriade séculos atrás usada com referêcnia a médicos e quer dizer "charlatão." Charlatão, ummm, bom conjunto de rock do Reino Unido. E por falar em charlatão, meu irmão de fé, Adam Sandler, deseja um Happy Hanukkah para todos.

Ducks_at_pawtowmack_792004


17-12-2006

A mulher do pescador, por Nicolas Rouquette

Não contei que meu PowerBook G4 fritou, né? Fez um fffzzzz como ovo na chapa. Em inglês há um verbo onomatopaico, "fizzle" que aprendi com uma professora de inglês velhinha cheia de vida ex-corista. Ela ensinava "I love Paris." Na letra, as estações do ano têm drizzles, para aquela chuvinha fina e chatinha e sizzles. Nicolas disse que ele fritou cinco computadores enquanto vivia sua saga de doutorado em ciência de computadores. Finalmente reparei o quê me impedia de logar. Vamos à estória e um tempinho para reflexão. Li esta história em português, depois em inglês, e finalmente em um livro para terceira/quarta séries primárias, em espanhol.

Havia uma vez, há muito tempo atrás, um pescador magrinho, com bigodes longos e finos, um pobretão, cuja palhoça estava fincada na beira de um abismo em face do mar. Os ventos açoitavam a palhoça por dentro e por fora. O pescador e sua esposa mal tinham o que comer ou como encontrar proteção do tempo inclemente.

Um dia, o pescador já com a vara de pescar imersa no mar, contente de estar trabalhando e longe de sua mulher, sonhava ele com um peixe bem grande, como um super-badejo, para que a pesca rendesse mais que uns parcos caraminguás. A mulher, um ser disforme, insolente, vociferante e de má índole, andava pra frente e pra trás dentro do casebre, praguejando contra tudo e todos.

De repente, entra esbaforido porta a dentro o pescador.

-- Mulher, mulher, um peixe encantado apareceu na rede, com coroa e tudo. Prometi deixá-lo livre, é rei, afinal, e ele me concedeu três desejos. -- O pescador tinha sua voz entrecortada de emoção.

--Você é um idiota, como sempre, eu sempre falo e você não adianta, continua a ser idiota. -- A mulher aproveitou e pespegou uns petelecos no pescador e puxou-lhe os bigodes.--

Acalmada agora, perguntou ao marido como era para obter os desejos. Era fácil, só chamar o peixe, que o pescador era quem tinha que fazer, e aí fazer o pedido. Antes de dizer --é fim de semana, quero transar-- o pescador já tinha chamado o peixe-rei e a mulher comandado:

--Quero ser o mandarim imediatamente abaixo do Imperador e ter uma habitação a mais suntuosa.-- Disse e bateu palmas. O peixe curvou-se e o casal foi transportado para uma habitação suntuosa e a Marvada para o conselho do Imperador, com o título de Mandarim.

Assim passaram uns meses. A palpiteira não se conteve. Quis mais. Chamaram o peixe, o céu estava escuro, relampejava, o desejo da megera foi satisfeito: ela tornou-se Imperadora de todas aquelas terras, com poder absoluto até além do infinito.

Um ano depois ela andava de um lado para outro do salão de audências do Império. Levava um tempão, porque além de suas banhas farfalhantes ( obrigada, I. ) tornarem seu esforço hercúleo, o salão era enorme tembém. Ela, a mulher do pescador ruminava. Antes tivera ruminado pasto que idéias toscas.

Lá veio o peixe, entre vagas do oceano que chegavam até a janela do Império. O céu, negro, carregado de nuvens plúmbeas, iluminava-se como se fosse povoado de celulares em show de rock. Relâmpagos e trovões dariam medo a qualquer um menos a Fulana esposa do pescador.

Declarou em alto e bom tom:

--Nada disso de ser imperadora, só. Não quero nem fronteiras nem nada de limites. É como falou o Raulzito Seixas em "Gita" -- Quero ser o princípio, o meio, o fim.-- Peixe, atenção: quero ser Deus!

A tempestade a tudo e todos encobriu. Pareceu interminável. Ao fazer-se bom o tempo, cadê palácios? Imperador ou mandarins, todos desfeitos, talvez quimeras. Pescador e Fulana de volta para seu casebre miserável.

Moral da história: Quem tudo quer, tudo perde, macaco não come mel, quando come se lambuza, como ousa o humano querer ser Deus?

Será que sou absolutamente minoritária entre os bilhões de humanos em minha insatisfação na vida? Poderia justificar dizendo que estou deprimida. Peraí: então estou sempre deprimida? Quando digo que quero morar em um quartinho com vista, meu som, escrivaninha e livros seletos, poder ver o jardim e só, sou eu uma voz solitária nesse desejo de ser dona absoluta do meu espaço enquanto viva? Sou o único ser insatisfeito no planeta?

Tenho a impressão de que a insatisfação permeia o humano. Sem a insatisfação, teríamos deixado o fogo pra lá. Estaríamos até hoje nas cavernas u.u.u salivando em ossos, as mulheres com seus infantes pendentes aos seios.

Aliada à insatisfação humana está a curiosidade. Não há maior mal pra cuca que falta de curiosidade. É por isso que brinco sobre minha geração --Ah, os Beatles! -- Tem muita coisa boa e nova por aí, principalmente gatchinhos como o Billiie Joe Armstrong. Ou a Gwen--essa eu passo.

E a preguiça? É ou não é a mãe das invenções? Sem a preguiça não haveria a roda. Aliás, está sendo determinada uma lei deste país predador, o meu, para reduzir a emissão de gases nocivos. Depois a realeza esquerdóide hollywoodiana diz que não há diferença entre os partidos e vota no L-O-S-E-R Nader e o I-D-I-O-T ganha a eleição de 2000. Parece que os efeitos da vitória democrata já se fazem ver.

Vejam bem: a insatisfação, a curiosidade e a preguiça são todas biblicamente castigadas; são castigadas até nas mitologias diversas. É ou não uma dicotomia nossa de alimentar estas "falhas" enquanto dizemos nos dias de culto que são "pecados"?

Qual é a moral da história? Há que refletir sobre a sabedoria popular. Pode ser que não esteja tão certa assim. Por mim, mesmo sofrendo, que sofrimento faz parte do ser Botafogo, digo: Viva a insatisfação, viva a curiosidade (de Psiquê ) e viva a preguiça, que nos faz inventar e sonhar.

Bom domingo.

Tina com um de seus bonés,um colar grã-fino da Vera Simões, presente, claro, à escrivaninha do seu pai, em seu escritório de 7 metros quadrados. Santa Monica, 17/12/2006
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